segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Um Péssimo Estatuto do Profissional de Enologia ou...

…Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Jorge Almeida, que tem um Estatuto Profissional a sério e uma Ordem (dos Médicos) de que se pode orgulhar, desde 1938.

"Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Jorge Almeida

Como o Senhor Deputado Jorge Almeida não publicou o meu comentário, nem se dignou pronunciar-se sobre ele, publico-o eu aqui, aproveitando o ensejo para lhe colocar duas questões e deixar-lhe uma sugestão:

1 - Como se sentiria, Senhor Deputado (sei lá, às tantas até já aconteceu alguma Coisa do género), se um deputado (ou, suponhamos, um Presidente da República) confundisse, digamos, o Acto Médico com os cuidados praticados por outros Profissionais de Saúde (e repare: "P-r-o-f-i-s-s-i-o-n-a-i-s d-e S-a-ú-d-e", i.e., Licenciados)?

Pois é… pois é…

2 - E já pensou, Senhor Deputado, no que aconteceria à Classe Médica se alguém na AR decidisse homenagear os profissionais das medicinas alternativas? É que, no fundo, apesar de não possuírem percurso académico superior (Licenciatura em Medicina), também eles têm dado a sua contribuição para o progresso da Medicina, actuando em nome da saúde e do bem-estar geral da população, e têm sido capazes de fazer um notável caminho de experimentação

Pois é… pois é…

Às tantas, Senhor Deputado, em matérias de Enologia, era melhor o Senhor ficar-se pela prova hedónica e deixar os outros assuntos para os Profissionais.

Ah! E, antes que esqueça, agradeço, antecipadamente, o seu comentário."

Os factos

Na publicação anterior sobre o Estatuto do Profissional de Enologia, escrevi, entre outras Coisas dos Vinhos:

1 - "Estatuto do Profissional de Enologia

O Projecto de Lei 637/X, de 9 de Janeiro de 2008, da autoria de deputados do Partido Socialista (Jorge Almeida, Rui Vieira, Miguel Ginestal, Jorge Fão, Lúcio Ferreira, Manuel José Rodrigues, Agostinho Gonçalves, Alberto Antunes, Carlos Lage, Vítor Pereira, Ventura Leite, Fernando Cabral, Joaquim Couto, Paulo Barradas, Nuno Antão, Rosa Maria Albernaz e Manuel Mota) não obstante transmitir alguma sensação de causa conduzida sem o cuidado necessário, tem o mérito da iniciativa em si e da celeridade em dar resposta a uma pretensão há muito reivindicada por uma classe profissional.";

2 - "Outros considerandos ou Da apreciação deste Projecto de Lei na generalidade

1. Ou o Projecto de Lei ao qual os cidadãos têm acesso é diferente daquele que os deputados (PS e PSD) discutiram ou não se entende porque parecem ter discutido a Lei (o "ou") e não o Projecto de Lei (o "e");"

Curiosamente, o Senhor Deputado Jorge Almeida, num artigo publicado pelo Tribuna Douro (faço questão de colocar o link apenas para o artigo para não contaminar este site com o meu mau Pagerank), escreveu, entre outras Coisas:

"(…) É essa a Lei que será aprovada em meados deste mês na Assembleia da República, e que tive o privilégio de elaborar e propor ao Parlamento. Avançar com este processo legislativo, é não só valorizar a fileira vitivinícola e um dos seus mais importantes grupos profissionais, mas também homenagear todos aqueles que, apesar de não possuírem percurso académico superior, construíram uma imagem muito distinta dos vinhos portugueses, e foram capazes de fazer um notável caminho de experimentação que deu lugar a vinhos de topo a nível mundial. (…)"

As conclusões

1 - Afinal, as intenções da iniciativa eram demasiado más para que reste qualquer mérito à iniciativa;

2 - Afinal, os deputados (PS e PSD) discutiram mesmo a Lei (o "ou") e não o Projecto de Lei (o "e"), o que é incompreensível!

3 - Afinal, a ideia (mal disfarçada desde o início) era mesmo catalogar "alguéns", não tendo, aparentemente, qualquer relação com uma preocupação genuína por uma Classe Profissional ou com a criação de um Estatuto Profissional, o que é mau! Demasiado mau! Assim como é demasiado mau disfarçar esta intenção num Projecto de Lei de forma tão insidiosa: a metamorfose de um "e" para um "ou" aquando da publicação da Lei, do género: pode ser que ninguém repare… – aparentemente, nem Sua Excelência o Senhor Presidente da República deu por isso.

É demasiado mau comprometer uma Classe Profissional para homenagear quem quer que seja. Lamento, profundamente, tudo isto; das más intenções ao mau estatuto ou, caso me convençam que não houve nunca nenhuma má intenção e que tudo não passou de um erro (à força de pancada ou da ameaça de processo judicial), lamento-o profundamente.

O humor

No passado dia 5, ao ler o artigo acima referido, no Tribuna Douro (sem link, para não contaminar), decidi fazer o seguinte comentário, não associando o nome do autor ao nome do Senhor Deputado – Jorge Almeida – provavelmente, se tivesse lido a parte "(…) e que tive o privilégio de elaborar e propor ao Parlamento." era capaz de ainda ser pior mas, confesso, uma vez pressentida a palavra homenagear, o meu campo visual afunilou-se de tal maneira que o meu cérebro deixou de processar estímulos visuais periféricos:

"Exmo. Senhor
Jorge Almeida,

Lamentavelmente, o Estatuto do Profissional de Enologia é um mau estatuto, para dizer o mínimo. A Lei n.º 59/2009 de 5 de Agosto, recentemente aprovada, não ficou igual ao Projecto de Lei n.º 637/X, de 9 de Janeiro de 2008, e a diferença, que pode parecer quase um erro de impressão no Diário da República (1.ª série, n.º 150 de 5 de Agosto de 2009), é enorme.

Após a leitura deste artigo, não posso, contudo, ficar indiferente ao facto de V. Exa. entender um estatuo profissional como uma forma de homenagear alguém, o que, de todo, repudio.

Recomendo, portanto, a leitura do artigo "Um mau estatuto "e" "ou" Um mau estatuto" no meu Blogue, Coisas dos Vinhos (http://danielgoncalvesmaia.blogspot.com), para a compreensão das implicações desta Lei onde, entre outras Coisas, fica patente que a Enologia é uma ciência e que:
"1. Em Portugal, a partir do dia 5 de Agosto de 2009, qualquer indivíduo tem direito ao título profissional "Enólogo"."

Agradeço, portanto, a leitura e a divulgação.

Com os melhores cumprimentos,
Daniel Gonçalves Maia"

Agradeço, portanto, a leitura e a divulgação.Pior sentido de oportunidade era impossível!

Ao Excelentíssimo Senhor Deputado Jorge Almeida

Como o Senhor Deputado Jorge Almeida não publicou o meu comentário, nem se dignou pronunciar-se sobre ele, publico-o eu aqui, aproveitando o ensejo para lhe colocar duas questões e deixar-lhe uma sugestão:

1 - Como se sentiria, Senhor Deputado (sei lá, às tantas até já aconteceu alguma Coisa do género), se um deputado (ou, suponhamos, um Presidente da República) confundisse, digamos, o Acto Médico com os cuidados praticados por outros Profissionais de Saúde (e repare: "P-r-o-f-i-s-s-i-o-n-a-i-s d-e S-a-ú-d-e", i.e., Licenciados)?

Pois é… pois é…

2 - E já pensou, Senhor Deputado, no que aconteceria à Classe Médica se alguém na AR decidisse homenagear os profissionais das medicinas alternativas? É que, no fundo, apesar de não possuírem percurso académico superior (Licenciatura em Medicina), também eles têm dado a sua contribuição para o progresso da Medicina, actuando em nome da saúde e do bem-estar geral da população, e têm sido capazes de fazer um notável caminho de experimentação

Pois é… pois é…

Às tantas, Senhor Deputado, em matérias de Enologia, era melhor o Senhor ficar-se pela prova hedónica e deixar os outros assuntos para os Profissionais.

Ah! E, antes que esqueça, agradeço, antecipadamente, o seu comentário.

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quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Um mau estatuto "e" "ou" Um mau estatuto

"5. Este Estatuto Profissional (tão bem intencionado na Proposta de Lei) transformou-se numa vergonha para a Classe! O Bacharelato em Enologia existe há 30 anos na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a licenciatura, há 20! Há muitos colegas licenciados e já há vários mestres e doutorados em Enologia em Portugal. A palavra Enólogo tem um peso institucional! Venha quem vier! Ser-se Enólogo pelo método das medalhas, ou da litragem, é ultrajante e um desprestígio para a Classe! Se era necessário catalogar "alguéns", em Portugal aprecia-se muito o estrangeirismo: ao "desprestígio" das palavras "fazedor de vinho", chame-se-lhes Winemaker, porque, Enólogo é mais que isso!"

A primeira publicação deste blogue data de 28 de Junho de 2007 e visava, no fundo, chamar a atenção para o uso abusivo da denominação enólogo; algo que se passava neste país desde há longa data e que, então, parecia adensar-se e não ter fim à vista, afectando todos os colegas licenciados em Enologia. Digo "no fundo" porque também me pareceu interessante disponibilizar esta informação a todos os leitores:

“Os enólogos são os técnicos responsáveis pelos trabalhos relacionados com a produção, tratamento e conservação do vinho e de outros produtos derivados das uvas. (...) Apenas a licenciatura em Enologia confere a denominação de enólogo e a especialização adequada ao exercício das correspondentes funções. (...) Na administração pública, os enólogos estão integrados na carreira de técnico superior ou de investigador. (...)”. É?
http://www.dgct.msst.gov.pt/profissoes2005/enologo.htm

Desde sempre defendi a criação (regulamentação) de um estatuto profissional para o Enólogo; e nunca estive só nem tão pouco fui dos primeiros a defendê-lo. Mas, o que é um estatuto profissional? Bem, pegando, apenas, nas palavras dos autores do Projecto de Lei n.º 637/X, de 9 de Janeiro de 2008, que no dia 5 deste mês de Agosto se fez Lei (Lei n.º 59/2009 de 5 de Agosto):

Definições

1. "Já há vários anos que a Universidade Portuguesa e diversas outras instituições de ensino, dão formação enológica, em diversos níveis académicos. Apesar do histórico de duas décadas de formação superior em enologia, apesar dos relevantes serviços que os enólogos têm prestado à fileira, sobretudo na significativa elevação da qualidade média dos vinhos portugueses e na qualificação de excelência de alguns deles, a verdade é que estes profissionais ainda não estão providos do respectivo Estatuto Profissional, de um estatuto legal que regule a sua actividade e defina a formação necessária à obtenção dos diversos níveis profissionais."

2. Um Enólogo tem que ter uma formação académica de nível superior, nomeadamente, ao nível da microbiologia, da química, das ciências agrárias e da análise sensorial.
Entendamos uma coisa: um Enólogo não é um "fazedor de vinho". O Enólogo, da mesma forma que o Médico, o Biólogo e outros, é o profissional por detrás de uma ciência, a Enologia, e, portanto, tem de ter um conhecimento científico e técnico formal nas áreas que a estruturam. Um Enólogo tem de ser um indivíduo com conhecimentos científicos e técnicos em áreas tão amplas como a química (a bioquímica, a química orgânica e a química analítica) e a física; a microbiologia; a ampelologia; a fisiologia vegetal e a genética; a climatologia, a geologia e a fertilidade dos solos; a estatística e a análise sensorial; a vinificação; a estabilização e a conservação de vinhos e derivados. Um Enólogo pode assumir funções na área laboratorial, na área da qualidade, na área da segurança alimentar, nos diversos ramos da produção, nas áreas da gestão e do marketing de vinhos, na área da investigação e desenvolvimento, entre outras. Caso contrário, a Classe dos Enólogos corre o risco de ter "profissionais" que não sabem sequer o que é uma levedura ou quais os mecanismos bioquímicos da fermentação alcoólica; de ter enólogos que não sabem fazer, sequer, uma análise físico-química de rotina a um vinho ou, tão pouco, estão familiarizados com o trabalho e com os procedimentos laboratoriais; o que é uma videira e de que males padece; como se cuida de uma vinha ou como se instala; como projectar uma adega e que equipamentos instalar, etc. etc. etc. "Profissionais" que, por desconhecimento, não são capazes de criar soluções ou, tão pouco, detectar um problema (no campo, na adega, na cave, etc., etc., etc.). Enfim, indivíduos que desprestigiarão a Classe; indivíduos que não contribuirão para o desenvolvimento da Enologia.

Estatuto do Profissional de Enologia

O Projecto de Lei 637/X, de 9 de Janeiro de 2008, da autoria de deputados do Partido Socialista (Jorge Almeida , Rui Vieira, Miguel Ginestal, Jorge Fão, Lúcio Ferreira, Manuel José Rodrigues, Agostinho Gonçalves, Alberto Antunes, Carlos Lage, Vítor Pereira, Ventura Leite, Fernando Cabral, Joaquim Couto, Paulo Barradas, Nuno Antão, Rosa Maria Albernaz e Manuel Mota) não obstante transmitir alguma sensação de causa conduzida sem o cuidado necessário, tem o mérito da iniciativa em si e da celeridade em dar resposta a uma pretensão há muito reivindicada por uma classe profissional.

Acontece, porém, que a Lei n.º 59/2009 de 5 de Agosto não ficou igual ao Projecto de Lei n.º 637/X, de 9 de Janeiro de 2008, e a diferença, que pode parecer quase um erro de impressão no Diário da República (1.ª série, n.º 150 de 5 de Agosto de 2009), é enorme:

1. Em Portugal, a partir do dia 5 de Agosto de 2009, qualquer indivíduo tem direito ao título profissional "Enólogo". Para isso, é condição suficiente o parecer de uma comissão ad hoc que decidirá, exclusivamente, em função de um currículo profissional (o que quer que esta palavra tenha passado a significar). Sabemos já qual é o ministério que nomeará esta comissão, mas não sabemos quem nomeará quem, nem quais os critérios a seguir, no entanto, colocar-se-ão duas situações:

a) Indivíduos com a 4.ª classe e parecer favorável da comissão serão Enólogos;
b) Indivíduos Licenciados em Enologia, Mestres em Enologia ou Doutorados em Enologia, serão Enólogos, ou não.

2. A substituição de um simples "e" por um "ou", na transição da proposta de lei para a lei, hipoteca, indefinidamente, a criação de uma Ordem (é condição essencial à criação de uma Ordem que todos os seus membros sejam licenciados);

3. Até agora, apenas a licenciatura em Enologia conferia a denominação de Enólogo e a especialização adequada ao exercício das correspondentes funções; a partir de agora, esta lei informa de que o currículo académico não é relevante para a elaboração de um Estatuto Profissional (para uma profissão cujo ciclo de estudos superiores de três anos, pré-Bolonha, data de poucos anos após a Revolução dos Cravos) e de que é uma comissão ad hoc, constituída por 5 quaisquer indivíduos, que decide sobre se esta especialização é ou não é adequada ao exercício das correspondentes funções; mais informa de que:

a) Para assumir funções na área laboratorial, na área da qualidade, na área da segurança alimentar, nos diversos ramos da produção, nas áreas da gestão e do marketing de vinhos, na área da investigação e desenvolvimento, entre outras, nem a 4.ª classe é necessário possuir;

4. "4 - O título profissional é constituído pela designação de enólogo, podendo ser precedido do grau académico ou profissional." – "podendo", não! "tendo de ser precedido do grau profissional", pois é claro!

5. Por último, informa esta lei de que os agora possuidores do título de "Auxiliar de Enologia" ou de "Técnico de Enologia", caso pretendam evoluir (?) na carreira profissional, mais lhes vale apressarem-se a "fazer vinho" do que investirem mais na sua formação académica, sob pena de não apanharem o "comboio da comissão ad hoc", que durará ("apenas!") 4 anos.

Considerações de carácter real

Àqueles leitores que poderão pensar que nada disto é assim tão importante, peço-lhes que se coloquem na posição daqueles que sentem ou já sentiram na pele:

1. Uma remuneração completamente desajustada ao conhecimento que possuem, ao trabalho que efectuam e à responsabilidade que têm;

2. A usurpação constante do seu título profissional por avençados que construíram uma reputação a "fazer vinho" no tempo em que a Enologia nacional era uma "terra de cegos";*

3. Perder a assinatura do trabalho e da responsabilidade anual, desenvolvido com knowhow e suor, para um "fazedor de vinho voador", cuja contribuição para o desenvolvimento da Enologia nacional são pontos Parker e informação recolhida para um laboratório de enologia estrangeiro de dimensão multinacional;

4. Por tudo isto (v.s.), sentir o mercado fechar-se aos profissionais que querem evoluir na carreira e reúnem condições para isso, porque se pode pagar o que se entender a um licenciado em Enologia e qualquer um pode ter o título de Enólogo, que é hoje indispensável ao marketing das empresas do sector.

Mas, não nos iludamos, na Enologia haverá sempre bons e maus profissionais, como em todas as profissões; mas, a todos estes propósitos, chego a um ponto que me parece essencial no Estatuto do Profissional de Enologia: ser uma porta (neste caso, fechada a sete cadeados) à criação de um código deontológico, de uma Ordem. Para quê? Para responsabilizar o profissional e para defender os seus interesses, defendendo os da sua Classe Profissional; para promover e debater; para fazer evoluir o "estado da arte", promovendo o avanço científico e tecnológico, ligando, e ligando-se a, instituições, organismos, Estado, privados e todos os seus membros, com propriedade e uma voz.

*Hoje, estes "fazedores de vinho" estão mais dependentes dos Enólogos, mas continuam a praticar a progressão de carreira da sua geração, i.e., o lobbying dos almoços.

Aos Caros Colegas

1. Seria legítimo reivindicar o Título Profissional de Enólogo para os licenciados em Enologia, no entanto, não o faço. Parece-me que, a um licenciado na área das ciências agrárias (ou na área alimentar ou, até, noutras áreas científicas ou naturais enquadráveis na profissão), conquanto que possua uma especialização adequada, nunca inferior a dois anos, poderá ser atribuído o título de Enólogo; e que a Classe poderá contar com ele para desempenhar, adequadamente, o exercício das correspondentes funções; no entanto, não me compete a mim avaliá-lo e, com certeza, não competirá a uma qualquer comissão ad hoc, composta de 5 indivíduos, competirá a uma Ordem.

2. A responsabilidade inerente ao exercício de uma actividade profissional distingue, entre outros, um patamar de especialização e de competências e, com este, uma evolução de carreira e níveis remuneratórios, sendo óbvia a regulação da oferta e da procura de trabalho.

3. Qualquer actividade profissional exige técnicos qualificados e evoca um enquadramento legal dos seus profissionais nas empresas do seu sector;

4. Um Estatuto Profissional não se compraz com conveniências, nem a um 1 dia e muito menos a quatro anos; não se compraz com autodidactas ou com "jeitosos", não se compraz com uma Lei incongruente;

5. Este Estatuto Profissional (tão bem intencionado na Proposta de Lei) transformou-se numa vergonha para a Classe! O Bacharelato em Enologia existe há 30 anos na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a licenciatura, há 20! Há muitos colegas licenciados e já há vários mestres e doutorados em Enologia em Portugal. A palavra Enólogo tem um peso institucional! Venha quem vier! Ser-se Enólogo pelo método das medalhas, ou da litragem, é ultrajante e um desprestígio para a Classe! Se era necessário catalogar "alguéns", em Portugal aprecia-se muito o estrangeirismo: ao "desprestígio" das palavras "fazedor de vinho", chame-se-lhes Winemaker, porque, Enólogo é mais que isso!

6. Se houve lapsos ou não, não sei, mas, independentemente da resposta a esta questão, urge rectificar esta lei. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que assim seja e faço um apelo a todos os colegas licenciados, mestres e doutorados em enologia para que se juntem à causa da nossa Classe.

Outros considerandos ou Da apreciação deste Projecto de Lei na generalidade

1. Ou o Projecto de Lei ao qual os cidadãos têm acesso é diferente daquele que os deputados (PS e PSD) discutiram ou não se entende porque parecem ter discutido a Lei (o "ou") e não o Projecto de Lei (o "e");

2.1 Da intervenção do PS adivinhou-se logo alguma () alteração à proposta de lei;

2.2 Da intervenção do PSD adivinhava-se um querer ser mais papista que o papa "saltando casas" muito importantes;

2.3 Da intervenção do CDS-PP e da do BE só posso constatar que foi cuidadosa, no entanto, para nenhum destes 4 partidos me posso pronunciar quanto à discussão desta Lei na especialidade, porque a ela não tenho acesso.

3. Agora, que li todas estas matérias (as disponíveis), creio que, pelo menos o PS e o PSD não leram o Parecer da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública e nota técnica elaborada pelos serviços de apoio, enviado ao Presidente da Assembleia da República. Ou, se leram, ignoraram-no. Acrescento, contudo, que não passei qualquer procuração à Associação Portuguesa de Enologia e que, como eu, há, com certeza, "muita gente".

4. Agora, que li todas estas matérias, interrogo-me sobre a confusão generalizada dos deputados da AR sobre diversas Coisas dos Vinhos, incluindo a diferença entre um Enólogo e um Winemaker

(Adianto ao leitor que não"nutro" qualquer simpatia por qualquer um dos partidos políticos com assento na assembleia da república (ou sem assento) e que, se excluí deste artigo o PCP, deve-se, unicamente, ao facto de, em rigor, não vislumbrar objectividade ou interesse por parte deste partido em discutir, à data, este assunto.)

Cumpre, ainda, dizer que não me passaram despercebidos os enganos nas datas contidas nestes documentos legais, da responsabilidade política de todos os intervenientes, nem tão pouco um "currículum" que, vergonhosamente, continua a aparecer, ao cabo de 7 meses, na Proposta de Lei, o que, manifestamente, se compraz com a atitude de querer dar um Título Profissional a quem pode até não saber ler ou escrever.

Resta dizer que tomei conhecimento do Projecto de Lei na data em que o publiquei neste blogue e que, da Lei, só há dois dias tomei conhecimento.

Aos Senhores Deputados

Qualquer um pode dar conselho mas isso não faz dele um Psicólogo. Se houve lapsos ou não, não sei, mas, independentemente da resposta a esta questão, urge rectificar esta lei. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que assim seja e faço um apelo a todos os colegas licenciados, mestres e doutorados em enologia para que se juntem à causa da nossa Classe.

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quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

What's next, "Organic" "Wine" Soda?

First came Croft and "pinked" the Port, actually managing to make it sound legal, and today, literally, it is; now, José Maria da Fonseca de-alcoholised a rosé, labelled it Rosé and the media (in their best versions) call it "wine"!? What's next, "Organic" "Wine" Soda?


With the exception of the US, O.I.V.'s membership includes all major wine producing countries and the EU follows its "recommendations". Wine Regulations in Portugal (and on the EU) state that: "Wine is the beverage resulting exclusively from the partial or complete alcoholic fermentation of fresh grapes, whether crushed or not, or of grape must. Its actual alcohol content shall not be less than 8.5% vol.
Nevertheless, taking into account climate, soil, vine variety, special qualitative factors or traditions specific to certain vineyards, the minimum total alcohol content may be able to be reduced to 7% vol. by legislation particular to the region considered." in O.I.V. (International Organisation of Vine and Wine), 2009, International Code of Oenological Practices, Issue 2009/01, Paris, p. 1.1.3-1.


In respect to the above, I just hope no one calls it "wine" for much longer… regardless of the number of quotation marks they use to "advertise" it.

Facts

1. To the weekly Portuguese newspaper Expresso, the chairman of the administration board of José Maria da Fonseca, António Soares Franco, said that Lancers Rosé Free "is practically the same";
(The same what, may I ask?)
2. In Portugal, this is the first time a company has de-alcoholised a wine but, in the US, several companies do it for quite some time now and some actually won awards;
(To me, the role of the alcoholic fraction in wine, even to young wines, is essential to its texture, taste and smell and it is irreplaceable.)

Questions

1. The idea of targeting the product towards countries with religious restrictions regarding alcohol consumption;
(I sincerely doubt the company will succeed with a product that has 0.50% vol.)
2. Selling in the US market;
(It will, of course, conquer its share because the market already exists in the US, nevertheless, and in spite of the company's selling strength in this country, I doubt consumers will exchange for a product that apparently has nothing to add.);
3. As for the Nordic countries, come on, you're not serious are you?
4. One last question: on which supermarket shelves will these bottles stand on, the ones next to the real wines?

Suggestions

1. But maybe we do need to soften a bit some types of wine; Vinho Verde, for instance, could be an interesting choice to compete with the beer industry (i.e., worldwide); but even the elegancy of Vinho Verde doesn't make it an non-alcoholic beverage... (Let's keep it that way.)
To me, wine should not try to compete with those alcoholic beverages that have been de-alcoholised in the recent past, no matter how tempting the idea may seem: Wine is Another Thing!
2. It is not wine and I will never call it wine, but if you read this article and happen to produce this type of product, I'm an open-minded person and you can tempt me to try it by sending me a bottle; I'll review it and publish it.

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domingo, 12 de Julho de 2009

Carbon footprints of wine closures or…

...Countdown 2010 – the wrong answers to why it is so important to "Only drink wines with natural cork stoppers" as to figure as point "8."(eight) on the "Ten Things We All Can Do That Make a Difference".

Last Monday, Liza Drius, Communications Assistant of the Regional Office for Pan-Europe of the IUCNI (International Union for Conservation of Nature), following my enquire and given the Office's delay, asked me if I was still interested on being answered the questions put to the Regional Communications Officer, Alison Coleman, regarding Countdown 2010 (see the link). I replied I did and that so did you; to be quite honest, I was flattered; a month delay to just a few questions kind of puts Portugal up to a British punctuality level, not to mention, of course, that my blog is not that important... Yesterday, the answers arrived to my email. Here are Liza's answers:

"Countdown 2010 – the answers

Dear Daniel,

Here are my answers:

1. Countdown 2010 was launched at the stakeholder conference “Sustaining Livelihoods and Biodiversity: Attaining the 2010 Target in the European Biodiversity Strategy” in Malahide, Ireland in 2004 organized by the Irish Presidency of the European Union. The initiative was set up by IUCN, the International Union for Conservation of Nature in 2005.

2. To become a business partner of Countdown 2010, companies need to comply with a set of regulations which ensure they do not act against biodiversity protection. As all other stakeholders in Countdown 2010 membership, it is quite natural that partners who sign our Declaration advertise their commitment and take advantage of it. And this is what we aim to. Countdown 2010 is in the first place a campaign aiming to raising awareness of how important it is to protect and conserve biodiversity. We are not afraid if companies gain exposure from us, we wish more and more businesses would join our network and take concrete action to reduce their environmental impact and protect the biodiversity that surrounds them.

3. The article you mention is a list of very easy and practical things everybody can do to contribute to the reduction of biodiversity loss. As cork forests are indeed biodiversity hotspots, it is important that they are conserved and protected. We would of course welcome a better regulation for wines and stoppers in the EU, but this is really just a way of making people aware that using real cork helps ensure a healthy environment. You are right that we should be more specific in the definition of “natural”, but adding to many specifications would make the text less accessible to our readership.

You can get more info here: http://cmsdata.iucn.org/downloads/arborvitae33.pdf (article The cork market: screwed?).

I thank you very much for your questions and we are glad to have attentive readers. Should you have any further questions, do not hesitate to contact me.

Best,

Liza"

1st: Thank you very much Liza.

2nd: Just a few comments on the answers:

When the subject is environment, everything is connected. Climate change and biodiversity are the agenda regarding environmental polices with economics playing an important role in its outcome. We're all aware of this and we're all aware that global action is required to reset the balance and set the earth to a clean restart; or else, at the minimum, mankind will suffer and the human species can get close to extinction. History, however, taught us that private interests, even in such times, may ignore the global interest.
To fight climate change and preserve biodiversity a lot of things need to be done and today almost everyone agrees on what these things are in general. Nevertheless, global action strategies demand for rigor and accuracy since global action leads to global consequences, i.e., drastic changes.
Thus, global action strategies may require a lot of study and lot of calculations. Let me give you a real example:



If you see the whole episode you can see that this bizarre idea actually proved to work out with quite amazing results. Nevertheless, if scaled up to even just the ablation zones of Greenland it would become a disaster:

"Many scientists see the idea of wrapping glaciers in blankets as impractical. To cover even just the ablation zones of Greenland (270,000 square kilometers) – that is, where the ice is melting – will involve approximately 100 million Sikorsky helicopter airlifts, which will cost, of course, hundreds of billions of dollars.
Unfortunately, it gets worse. The project will, of course, leave a huge carbon footprint. Manufacturing the carbon-based polypropylene blankets, then shipping them to the location and transfering them to the site will emit a huge amount of carbon dioxide. To give just one figure: the carbon cost of a Sikorsky is 1.5 tons of carbon per hour. It's hard to counter this objection, since the carbon footprint is massive." in discoverychannel.co.uk

I new you'd get the picture.

What's that got to do with anything?

Any sort of environmental organization thru any sort of initiative has a huge responsibility in our time; responsibility is even higher when an initiative can be worldwide spread and globally heard and followed.
Any strategy must have a scientific background and its communication must be accurate and reach each person in a clear way, or the best of intentions (assuming that all the intentions are always the best) can reveal disastrous.

Thus, starting backwards:


1. "…this is really just a way of making people aware that using real cork helps ensure a healthy environment. You are right that we should be more specific in the definition of “natural”, but adding to many specifications would make the text less accessible to our readership."

a) The majority of consumers doesn't know the difference between a natural cork stopper and any other wine closure made with cork; to them, all are cork made, and so they're "more natural" than all the others (i.e., synthetic and aluminium closures), and thus, regarded as more friendly to the environment;
b) The majority of wine cork closures produced are not natural cork stoppers (i.e., plain cork) and given the present economic crisis it wouldn't be surprising if natural cork stoppers lost even more of their share on the wine cork closures market, especially to agglomerated and colmated (filled) cork stoppers, which are much cheaper;
c) The message "...making people aware that using real cork helps ensure a healthy environment" is wrong (period).
d) The message "…adding to many specifications would make the text less accessible to our readership." is irresponsible; preserving biodiversity doesn't mean preserving three globally endangered species (the Iberian Lynx, the Iberian Imperial Eagle and the Barbary Deer) in the montado de sobro (cork oak stands or forests); preserving biodiversity means a lot more and lowering carbon footprints is at the top of the list (sustainability is another one, and 100.000 people depending directly and indirectly on the cork economies of the 7 major Mediterranean cork producing countries (allmost all cork produced in the world) aren't an excuse to a multimillionaire industry).

I don't mean that the world will end because of what I believe are wrong assumptions regarding point "8." (eight) on Countdown 2010. What I mean is that wrong assumptions cancel the effect of right ones and set us back to square one (zero would be more accurate).

Facts:

You can take a look at APCOR's exports report on wine cork closures reflecting the 2007's exports increase. You should pay attention to this: the percentages reflect money/closure type and not quantity/closure type.

One thing you can ask yourself is where the hell did the colmated* cork stoppers go in this report? Were they included on the "natural cork stoppers" statistic?

*Cork dust and glue filled corks, made from high porosity natural corks.

Another thing you can take a look at, are independent reports on carbon footprints regarding all the process involved until a wine closure reaches its destiny, for all types of wine closures, by three major companies of each industry (aluminium, cork and synthetic):

Amorim (Cork closures)

Report's link (see "Research puts a figure to natural cork's green credentials")

Zork (Screwcap aluminium closures)

Report's link

PDF report's link

Nomacorc (Synthetic closures)

PDF report's link

Surprisingly, the reports' conclusions are pretty much the same… but there's one thing missing on Amorim's report: it doesn't include agglomerated cork stoppers, only natural ones (plain cork). And you can see in the other two reports, that synthetic wine closures do have a much smaller carbon footprint than agglomerated cork stoppers.

Continuing…

2. The lobbing question was avoided.

3. Regarding other environmental concerns, as methods used and chemicals applied in the manufacturing process of the natural cork stoppers, the answer could demand a lot of work and/or investigation so, it is understandable not having an answer; but it's not an excuse considering Countdown 2010's huge responsibility.

4. As for practical things, drinking wine (chip or not) is definitely not one of those, at least not to me it is not…

Conclusion:

I'd say: if you decide to "save Miguel", you should ask yourself, first, who is "Miguel" and what the hell is he doing.

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terça-feira, 30 de Junho de 2009

Muamba de Galinha: variações sobre um Rubai de Fernando Pessoa*

29-06-2009

Morreste, eu salivo, e salivo mais pois sei
Por que sabores salivo e salivarei.
Não é pelo sabor da tua muamba:
É pelos sabores das muambas que eu não comerei.

Tudo é útil, no que toca aos sabores. Da panela
À curgete, do quiabo à beringela.
No lume brando com o óleo de palma,
Tu mesma renuncias à cabidela.

Sábio é o que é capaz de improvisar,
Para que nada do que te falte se não note que está a faltar.
Toda a malagueta tem sementes.
Toda a pimenta dá para apimentar…

Comamos! A galinha picante, o pirão a preceito, tudo
Neste jantar me deixa mudo.
Bebamos, pois, aos jantares à meia-noite!
Amanhã publico isto, hoje, já estou de todo.

Aos meus Amigos do Restaurante Campo Alegre

*Post não recomendado a poetas e a "pessoas sensíveis".

Publiquei recentemente uma versão inglesa deste post; esta é hoje publicada "à laia" de prólogo, com (algum?) humor; estou certo de que Fernando Pessoa tinha humor.

Como Pessoano, não posso deixar de publicar o original deste Rubai (para sempre incompleto), para o qual não possuo adjectivação:


Fig. 1 - Digitalização de: PESSOA, F., 1997, Canções de Beber na Obra de Fernando Pessoa, Exemplar X, Edições de Arte, Lda., Lisboa, p. 33.

Num próximo post sobre um próximo jantar à meia-noite, publicarei primeiro uma versão portuguesa; quanto à prova hedónica, talvez não se reduza, então, a uma nota, como se segue, e tenha mesmo notas de prova, como no primeiro destes jantares. Tudo dependerá dos produtores nacionais de vinhos

Prova Hedónica - V

Ramos Pinto, Collection, Douro, 2005, tinto
De forma prática e numa escala de 0 a 100 (ou de 50 a 100, considerando que não há defeitos):

Daniel Gonçalves Maia: 80 pontos;
Painel: 87 pontos;
Barómetro: até agora, sem resultados (remeta a sua pontuação ao Blogue aqui).

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